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Redes Sociais: “A droga do século” – Conheça os efeitos desse vício

Estudos mostram que os danos causados no cérebro pelo vício em redes sociais acontecem na mesma região que os danos causados por dependência química. As regiões que cuidam dos processos de atenção e decisão são afetadas, e por fornecer rápidas recompensas com baixo esforço, se tornam um vício. A cada like o cérebro gera dopamina que intensifica cada vez mais o vicio. Isso cria 4 prejuízos grandes:

1) Piora da memória e eficiência na habilidade multitarefa: como as pessoas são mais facilmente distraídas tem menor capacidade de foco e atenção, o que dificulta reter informações na memória.

2) Perda do controle da continuidade da atenção: a cada interrupção, levamos 23 minutos para voltar ao foco do que estávamos fazendo antes.

3) Egocentrismo e vaidade aumentadas: enquanto numa conversa cara a cara reservamos 30 a 40% do tempo para falar de nós mesmos, nas redes sociais reservamos 80% do tempo para isso. Ficamos 2 vezes mais autocentrados.

4) Superficialidade: para Nicolas Carr, quando estamos online, estamos num ambiente que promove a leitura superficial, pensamento afobado e distraído e aprendizado superficial. Ou seja, menor chance de engajar num pensamento reflexivo e menor enfase em objetivos morais. As redes sociais nos incentivam a ter uma atitude mais passiva, de expectador ao invés de protagonista, o que faz com que cada vez menos as pessoas queiram ler livros e desenvolver suas ideias próprias. Isso tudo faz com que cada vez menos tenhamos projetos com propósito, que deixam a vida sem sentido! Fonte:
https://www.youtube.com/watch?v=8S2sBG4A8Q4

Como você escolhe o que você consome?

Sabemos que a alimentação saudável é baseada em uma alimentação variada e que considera o equilíbrio nas quantidades. Temos consciência que essas escolhas alimentares irão refletir diretamente na nossa saúde.

Mas e se pensarmos no que escolhemos para ser consumido pela nossa mente? Temos a mesma consciência sobre o impacto dessas escolhas em nossa vida emocional, no nosso humor, no nosso bem estar?

Você escolhe o que consome mentalmente da mesma forma que escolhe seus alimentos? E como faz essa escolha? Consome coisas mais rápidas e fáceis, ou consome pratos elaborados, que dependem de uma preparação mais longa? Leva mais em conta a saúde ou a praticidade?

Se considerarmos o que o psicólogo israelense Daniel Kahneman, prêmio nobel em economia, relata a partir de suas pesquisas  sobre o comportamento humano, vamos perceber que a forma como fazemos nossas escolhas não é tão obvia.

Para Kahneman, o cérebro tem dois tipos de pensamento. O primeiro é rápido e intuitivo e confia na experiência, na memória e nos sentimentos para tomar decisões. O segundo é lento e analítico – e serve como uma espécie de guardião do primeiro.

Por exemplo, o primeiro, o pensamento intuitivo, em função de suas inclinações, restringe previamente as escolhas sobre o que vamos escolher para comer antes mesmo que você se de conta de que esta chegando a hora de almoçar. Do contrário, passaríamos horas avaliando todas as possíveis opções de refeição – e morreríamos de fome. A tendência do cérebro é de economizar energia. Por isso, repetimos diariamente alguns hábitos sempre da mesma maneira.

De certa forma, o pensamento intuitivo é o que nos diferencia dos robôs. E é ele que permite ao cérebro processar informações na velocidade necessária, evitando por exemplo, que você gaste energia desnecessária para pensar sobre como amarrar os sapatos todos os dias pela manhã, você faz isso automaticamente.

Mas dependendo da situação, economizar energia nem sempre é o mais importante, e aí entra a importância do segundo modo de pensamento, o lento-analítico. Para evitar que nossas opções sejam restritas, é necessário colocá-lo em ação.

E isso acontece quando damos o tempo necessário para refletir sobre as situações, duvidando das nossas escolhas e opiniões, matando as certezas que estão dentro de nós. Assim como na alimentação do nosso corpo a variedade é importante, também é importante na alimentação da nossa mente e de nossa alma. E consumir arte faz parte dessa alimentação.

Bora curtir o Festival de Teatro em Curitiba!

“O Poder mais importante de uma obra de arte é seu mecanismo capaz de transformar a consciência das pessoas” (Antoni Tapies)

Fonte: https://super.abril.com.br/ciencia/descubra-as-mentiras-que-o-seu-cerebro-conta-para-voce/

Ainda há Luta!

Já faz muitos milhares de anos que a sociedade se tornou patriarcal em função da descoberta da paternidade. Antes disso, acreditava-se que a mulher era a fonte da vida e que a sua fecundidade influencia a fertilidade dos campos. A mãe era a personagem central nessa sociedade. Homens e mulheres trabalhavam juntos, em prol do bem comum. A estrutura social pré-patriarcal era igualitária.

A partir do descobrimento de sua participação na procriação,  as relações entre homens e mulheres se transformaram, e o homem foi desenvolvendo um comportamento autoritário e opressor, reforçado pela sociedade, para “disciplinar e subjugar a mulher” ainda que  usando da força física.

Embora as mulheres já tenham conseguido muitos direitos em sua luta pela igualdade, ainda temos um longo caminho a percorrer quando se trata de chegar  a uma sociedade igualitária. Os números do IBGE (link abaixo) mostram que embora as mulheres tenham mais educação e trabalhem mais, tem menos cargos de gerencia e ganham menos. Além disso, cumprem mais horas de tarefas domesticas por semana do que os homens na mesma situação, não importando a idade.

Mas o que mais assusta é a violência que a mulher continua sofrendo diariamente. Conforme descrito no site Relógios da Violência, a violência doméstica tem um ciclo que geralmente apresenta três fases:

1. Aumento de tensão: O agressor se mostra tenso e irritado por coisas insignificantes, tem acessos de raiva, humilha a vítima, faz ameaças e/ou destrói objetos. A vítima tem muitos sentimentos (tristeza, medo, ansiedade), fica aflita, tenta acalmar o agressor, achando muitas vezes que ela fez algo errado para justificar o comportamento violento do agressor.

2. Ataque violento: quando ocorre a explosão do agressor, e a tensão acumulada se materializa em violência verbal, física, psicológica, moral ou patrimonial. A vítima mesmo reconhecendo o perigo fica paralisada, sem reação. Pode apresentar insônia, ansiedade, perda de  peso, fadiga constante. Se sente confusa, com raiva, com medo, sozinha e com vergonha. Nesse momento ela pode tomar a decisão de pedir ajuda.

3. Lua-de-mel: o agressor envolve agora a vítima de carinho e atenções, desculpando-se pelas agressões e prometendo mudar (nunca mais voltará a exercer violência). A vítima acredita nos esforços de mudança, lembra dos bons momentos, e estreita a relação com o agressor. Por fim a tensão volta o que leva a fase 1 novamente.

Com o tempo os intervalos entre as fases ficam menores, e as agressões podem acontecer sem obedecer a ordem das fases. Em alguns casos ocorre o assassinato da vitima.

Muitos se perguntam: mas se ela sofre tanto, porque continua na relação? A resposta não é tão simples, existem muitos fatores envolvidos. Muitas vezes a vítima mantém um casamento “secretamente miserável” por valores aprendidos na cultura e na família (Resnick´s). Muitas mantém o casamento por valores religiosos, por causa dos filhos, por questões financeiras, por questões sociais e outras.

Além de tudo isso, ainda existe a influência de questões emocionais como a descrita por Solomon em 1980: a teoria dos processos oponentes (abordado no artigo Minds and Bains for Gestalt Therapists de Todd Burley). Burley explica que os processos oponentes são um paradigma extremamente poderoso. Exposto de uma forma simples: o processo A é a resposta afetiva a um estímulo particular, por exemplo a dor após sofrer uma violência (fase 2 do ciclo de violência). Quando a dor começa a se dissipar o processo B, que é o oposto a mágoa, ocorre (fase 3 de lua de mel – o agressor se arrepende, demonstra carinho e afeição), a vítima se sente aliviada, se sente bem, e isso reforça a tolerância para o processo A. O processo B é fortalecido, enquanto o processo A é enfraquecido. Se os efeitos posteriores são tão poderosamente agradáveis e positivos, como a vítima pode agir saindo nesse ponto, mesmo que ela esteja determinada a partir no início?

Esses são somente alguns aspectos envolvidos nas relações domesticas onde a violência ocorre. Por isso além de trabalhar com o medo dando proteção a vítima e com o reforço da auto-estima, também é necessário ampliar nossa ação no sentido de abranger o maior número de aspectos envolvidos nessas situações.

É importante que as pessoas comecem a olhar para essa situação de agressão deixando de lado os preconceitos e os julgamentos e colaborem para aumentar disseminação de informações como essa, pois quanto mais consciência houver sobre os processos envolvidos, novas aprendizagens e possíveis mudanças poderão ocorrer.

Fontes:

– A Cama na Varanda – Regina Navarro Lins – 7a. ed – 2012 – Rio de janeiro

– https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101551_informativo.pdf

– https://www.relogiosdaviolencia.com.br/ciclo-da-violencia

– http://www.artepsicoterapia.com.br/entrevista-com-rita-e-bob-resnick-gestalt-terapia-com-casais/

-Minds and Brains for Gestalt Therapists – Todd Burley

terapia de casal

Terapia de Casal

A terapia de casal vem para tentar mudar um quadro preocupante. No Brasil, os casamentos estão durando cada vez menos. A maioria dos casais (56,5%) está se divorciando antes de completar 15 anos de união apontam as Estatísticas do Registro Civil 2011. Sendo que, 41,6% deles, portanto, não completam uma década. Os que nem chegaram a completar um ano de casados, e que antes não constavam entre as dissoluções, agora, no entanto, já representam 1,8% do total. Da mesma forma, divórcio está ocorrendo também cada vez mais cedo, em média aos 42 anos para eles e 39 anos para elas. Como resultado, os dados são crescentes e alarmantes.

Para Rita e Bob Resnick, a taxa de divorcio altíssima, no entanto, não reflete a parte principal. Em primeiro lugar, eles acreditam que a parte principal são aqueles casais que estão em um: “casamento secretamente miserável”. Resumindo, são aqueles casais que mantém um relacionamento insatisfatório por algum fator externo. Seja por causa dos filhos, da religião, do dinheiro, do estigma social, por medo de ficar sozinhos, etc.

E mais, eles acreditam que o nosso modelo de  casamento está desatualizado e obsoleto. Em outras palavras, hoje procuramos em uma só pessoa, o que antes uma comunidade inteira oferecia: base, significado, e continuidade. Além do mais, queremos também que os nossos relacionamentos sejam românticos, gratificantes emocionalmente e sexualmente. Como resultado, criamos muitas expectativas. Consequentemente, as estruturas conjugais tradicionais tem dificuldades de satisfazer o preceito moderno.

Amar de Olhos Abertos

Jorge Bucay e Silvia Salinas em seu livro “Amar de Olhos Abertos” afirmam que amar é aceitar o outro como ele é. Ou seja, o fato do parceiro pensar diferente, não quer dizer que ele não ama. Certamente não é necessário pensar igual! Aceitar não significa se resignar ou acreditar que não é possível melhorar. A psicoterapia de casal crê que, acima de tudo, aceitar é o que traz a verdadeira mudança.

Em primeiro lugar, a maneira como o casal lida com as diferenças em geral está na raiz dos conflitos. Em geral cada membro do casal pensa: meu ponto de vista é melhor, se eu estou certo, você esta errado. Se o casal consegue achar um espaço onde nenhum deles tem medo de ser “colonizado” pelo outro, cada um pode ouvir o outro com boa vontade e benevolência. Este é o propósito da terapia de casal.

Para ser aceito, cada um precisa se mostrar inteiramente. Para isso, é preciso intimidade, saber que se pode falar qualquer coisa, que a outra pessoa saberá lidar. Há então, a segurança de que a pessoa não precisar se vigiar no que fala ou faz, seja em uma briga ou em um momento romântico. Certamente não é uma autorização para magoar o outro, mas sim, um momento de compartilhar do interior.

Como Funciona a Terapia de Casal

A  terapia de casal auxilia cada indivíduo a identificar quais são suas necessidades básicas e como satisfazê-las. A idéia da terapia, acima de tudo, é convidar o cliente a estar lá sendo quem ele é. Durante a terapia o terapeuta não vai tentar  resolver as questões do casal, e sim vai colocar luz nas questões. Auxiliar o casal a ficar consciente de seu processo, de como criam  as situações  e colaboram para mantê-las, através de lances de relacionamentos co-desencadeantes.

Por fim, durante a terapia de casal é importante que o casal tome consciência de como se interrompe e também de quais são as suas competências. Então, se o casal tiver consciência das suas competências podem utilizá-las para solucionar impasses quando estes aparecerem.

Restaurando seu poder de escolha!

Psicoterapia é algo tão bom, que seria uma pena se os considerados “normais” não desfrutassem de seus benefícios.
O objetivo da psicoterapia é permitir que a pessoa tome consciência de si mesma, dos seus pensamentos, sentimentos de sua forma de funcionar, e a partir disso possa fazer novas aprendizagens e mudanças.

A tarefa do psicoterapeuta é auxiliar as pessoas a perceber onde existem os impasses em sua vida, aumentando sua conscientização sobre si mesmo e sobre o mundo ao redor. Quando cada pessoa tem consciência de seus desejos, e dos desejos de outro ao redor, ela pode fazer as melhores escolhas possíveis para si mesma. A grande busca da psicoterapia é transformar pessoas de agentes passivos a agentes ativos, que tem a capacidade de tomar a direção da sua própria vida.

As pessoas buscam a terapia não apenas para resolver suas dificuldades, mas também para melhorar a qualidade de vida. Questões que não conseguimos encontrar uma solução adequada, não significam doença ou anormalidade, muitas vezes são pequenas dificuldades, mas que se não forem trabalhadas por um psicólogo terapeuta, levarão a problemas maiores.
Para Zinker, a vida é um processo constante de solução de problemas, desde a inspiração de ar que nos sustenta, até o lamento pela perda de alguém amado. Isso quer dizer que a psicoterapia não impede o fluxo da vida, simplesmente nos mostra outra visão dos fatos, de forma que possamos viver de maneira mais autêntica e espontânea, fazendo escolhas e nos responsabilizando por elas e não sendo vitima das situações.

Na psicoterapia, um casal ou uma família pode explorar e resolver seus dilemas sem precisar culpar ninguém. Pois o trabalho do psicoterapeuta é auxiliar cada um a perceber sua porção de responsabilidade e escolha nas questões a serem trabalhadas.

Como funciona a psicoterapia:
Em geral, no primeiro telefonema, são coletadas informações sobre os acontecimentos: O que, com quem e como a situação problemática se dá e qual o nível de disposição das pessoas para a busca por melhora. Então, junto ao psicoterapeuta, define-se quem virá para as sessões de terapia, ou seja, se a terapia será individual, de casal ou de família.

Nas interações pessoais, não existe simplesmente causa e efeito, e sim, interações extremamente complexas do ponto de vista psicológico. Qualquer evento pode afetar todo o sistema de interação entre os indivíduos. Quando uma pessoa muda o seu estado de espírito, ela provocará os outros a mudarem também.
A mudança saudável só ocorre à medida em que as pessoas envolvidas se interessam em tomar consciência de seu processo interativo. Quando cada indivíduo se esforça, para fazer as aprendizagens necessárias, e trabalha para resolver as suas resistências e interferências que impedem a mudança saudável.
Não é possível fazer as mesmas coisas repetidamente e esperar resultados diferentes. Mude ação, e o resultado também irá mudar!

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Pra que Fazer Psicoterapia

Fazer Psicoterapia é algo tão bom, que seria uma pena se os considerados “normais” não pudessem aproveitar!

Primeiramente, o objetivo da psicoterapia é permitir que a pessoa tome consciência de si mesma! Dos seus pensamentos, sentimentos de sua forma de funcionar, e a partir disso possa fazer novas aprendizagens e mudanças. A tarefa do psicoterapeuta é, então, auxiliar as pessoas a perceber onde existem os impasses, aumentando sua conscientização. Quando cada pessoa passa a ter consciência de seus desejos, e do desejo de outros, ela então pode fazer as melhores escolhas. O que se busca na psicoterapia é que as pessoas possam passar de agentes passivos a agentes ativos, que tomem a direção de sua própria vida.

As pessoas buscam psicoterapia não só para resolver dificuldades, mas também para melhorar a qualidade de vida. Acima de tudo, é importante dizer: questões para as quais não conseguimos dar soluções adequadas, não significam doença! E sim pequenas dificuldades, mas que se não forem trabalhadas, levarão a problemas.
Da mesma forma, para Zinker, a vida é um processo constante de solução de problemas. Desde a inspiração de ar que nos sustenta, até o lamento pela perda de alguém amado. Em outras palavras, isso quer dizer que a psicoterapia não impede o fluxo da vida. Simplesmente nos mostra outra visão dos fatos, de forma que possamos viver de forma mais autêntica e espontânea. Ou seja, não nos tornamos mais vitimas das situações, mas mostra como fazer escolhas e nos responsabilizar por elas.

Como funciona a Psicoterapia

O mais importante, é que na psicoterapia, um casal ou uma família pode explorar e resolver um dilema sem culpar ninguém. Então o psicoterapeuta auxilia cada um a perceber que cada pessoa tem sua fatia de responsabilidade, e consequentemente, ajuda nas questões a serem trabalhadas.
Em geral, é feito um primeiro telefonema, onde então, a partir das informações é determinado que tipo de terapia ocorrerá. Se pergunta sobre o que está acontecendo, como está acontecendo, com quem está acontecendo e a disposição dessas pessoas para o trabalho psicoterapêutico. E então define-se quem virá para psicoterapia, ou seja, se a psicoterapia será individual, de casal ou de família.

Obtendo resultados

Em conclusão, nas interações entre as pessoas não existem causas e efeitos simples, são interações complexas. Qualquer evento, em qualquer ponto do sistema em questão, afeta o sistema como um todo. Quando uma pessoa muda seu estado de espírito ela provocará os outros a mudarem também.
A mudança saudável só ocorre à medida que as pessoas envolvidas se interessam em tomar consciência de seu processo interativo, esforçam para fazer as aprendizagens necessárias e trabalham para resolver suas resistências ou interferências em relação à mudança saudável.
Não é possível fazer as mesmas coisas repetidamente e esperar resultados diferentes.

Planejamento

Planejamento é fundamental quando falamos de qualquer assunto: tempo, relações, dinheiro, trabalho….

Um bom planejamento precisa ser flexível, mas sem ele fica mais difícil atingirmos as nossas metas. Eu faço planejamento semanal. Dá uma olhada  na grade que eu criei para me ajudar!

planejamento semanal

E essa grade tem ajudado muita gente!

Fique a vontade para fazer a adaptação mais adequada a sua vida! Enjoy!

 

O Mal Encontra a Verdade – Parte 2 – Jean Felipe Felsky

Apresento aqui a segunda parte do conto ” O Mal Encontra a Verdade” de Jean Felipe Felsky . Jean é um autor criativo que tive a oportunidade de conhecer. Ele  nasceu em Curitiba, PR no dia 22 de Janeiro de 1985. Formou-se em ciência da computação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná e apesar da formação muito técnica sempre se interessou pela literatura, em especial a de terror. Desde o tempo do colégio escreve pequenos contos e poesias como forma de expressão. Participa de grupos de literatura como a Tinta Rubra e a Sociedade dos Leitores Tortos.
Contato com o autor : jean.felsky@gmail.com

Aqui a primeira parte:

O MAL BUSCA A VERDADE

Boa Leitura!

O Mal Encontra a Verdade
Jean Felipe Felsky
— Você não se lembra? Você não se lembra?! Meu rosto, meus cabelos, meu corpo e minha voz não mudaram nada e mesmo assim você não se lembra? Que decepção. Mas, não se preocupe, vou fazer você lembrar! Sim, você vai lembrar de tudo! Faz 10 anos, exatamente hoje! Você foi ao meu consultório, fraco, patético, do mesmo jeito que te vejo agora.
— Lu… Luana? — o vampiro ensanguentado, encolhido no canto do quarto murmurou o nome daquela que seria a última pessoa que ele esperava reencontrar. A mulher de cabelos loiros e olhar penetrante sorriu.
– Ah… Que bom que está lembrando, sim, que bom! Por que eu não me esqueci. Cada um desses dias eu lembrei e esperei por este momento.
– M… mas… co… como? – Ele se esforçava para falar e tossiu sangue. Seu corpo inteiro doía e seu orgulho ferido não o deixava entender como aquela mulher de aparência frágil podia ser tão rápida e forte a ponto de lhe castigar tanto o corpo. E se fosse quem ele suspeitava e ela alegava, deveria estar morta! Ele mesmo a matara, tentando a transformar em vampiro. Ele só queria respostas e saiu de seu consultório com mais dúvidas e com um corpo que insistia em não renascer, mesmo que como vampiro.
– Como?? Ora, é simples! Você me matou, me alimentou do seu sangue e aqui estou. Não viva e não morta, exatamente como você! Mas, você é um completo tolo. Se o processo levou um dia inteiro para você por que não poderia levar mais para mim? Eu levei uma semana para voltar e você não estava lá quando despertei. Uma semana, sete dias, sem céu nem inferno. Apenas um vazio, um nada. Nenhum som e nenhuma imagem, mas a dor estava lá. A dor de querer morrer e não conseguir e a tristeza de querer viver e tampouco voltar. Somado a tudo isso, o gosto adocicado e enjoativo do seu maldito sangue na minha boca! Era só isso o que eu sentia, você consegue imaginar, não consegue? O desespero e a agonia eram minha única companhia enquanto gritos silenciosos eram minha única forma de expressão. Todas as células do meu corpo ardiam num calor intenso como se fossem uma a uma queimadas pelo próprio fogo do inferno à medida que iam se transformando no que sou agora. Este tormento durou por todo o tempo em que estive naquele torpor irreal. Enfim, quando estava pronta, acordei e finalmente compreendi a fome que você alegava enfrentar. Foi a primeira vez que me alimentei, foi de um mendingo que andava cambaleante pelo beco em que você me deixou. Seu sangue impregnado do gosto amargo da cachaça barata que ele havia bebido me trouxe à consciência novamente. Só depois de saciada, aquele desejo incontrolável me abandonou e eu tive poder sobre minhas ações novamente. Quando vi aquele corpo imóvel à minha frente eu entendi o seu sofrimento e questionamento. A ironia de tudo isso é que você realmente me deu os meios para te entender, para te ajudar. Mas, não creio que você aceitaria meus conselhos. Eu te observei esses anos e você continua o mesmo fraco e chorão de sempre. Você continua se alimentando de páreas, sustentando um falso moralismo que nem mesmo você entende! Desse modo, você se priva das melhores oportunidades, das melhores safras que a sociedade tem para nos oferecer. E o pior, agindo assim você não evolui. Você ainda acha que seu truque barato de deixar um quarto mais escuro é o máximo, mas mal sabe que, se eu assim desejar, posso criar sombras tão densas que te sufocariam, esmagariam e matariam agora mesmo! Você não sabe como usar essas sombras para te esconder, te fazendo invisível a olhos mortais. Você não sabe nada! Luana parou e encarou profundamente o vampiro a sua frente. Ele apresentava espasmos involuntários devido ao grande número de ferimentos e havia perdido tanto sangue que não conseguia se recuperar. Lentamente, deu-lhe as costas e se pôs a pensar sobre aquela noite. Ao acordar, sabia que teria de enfrentar seu criador, não podia esperar mais. Ela o rastreara e seguira por tanto tempo, de longe ela aprendera seus truques e quando já não havia mais o que aprender ela o deixou, mas sem nunca esquecê-lo. Sozinha, aprendera novos truques, a utilizar seu sangue como uma fonte extra de poder, a controlar sua fome, a matar e a não matar e como escolher. Anos se passaram até que ela o procurou novamente. Ele continuava exatamente o mesmo, não só na aparência, afinal vampiros não envelhecem, mas na essência, nas atitudes e convicções. Enfim, ele ainda chorava lágrimas de sangue noite após noite. Há dez dias ela o reencontrara e de longe apenas observava. Ele se isolara, desesperado tentava compreender sozinho o que acontecera com ele. Temia, mais do que tudo, passar pelo mesmo que havia passado com a única pessoa que tentara ajudá-lo. Não deixava ninguém se aproximar, na sua solidão procurava um sentido para aquilo tudo. Mas, agora ele não estava só, a única pessoa ciente da sua existência como vampiro estava a sua frente. E depois de alguns instantes que lhe pareceram uma eternidade, ela se virou para ele novamente.
– Olhe só para você! Como é possível você ainda não ter compreendido? A explicação  sempre esteve escancarada na sua frente. Você se depara com ela todo santo dia.
– Eu só me deparo com a morte, dia após dia, você ainda não entendeu isso?! – juntando
o pouco de força que lhe resta, o vampiro moribundo ainda tentou argumentar.
– Mas, é isso!! Você que não entende! Nós somos causadores da morte. Essa é a nossa  natureza, qualquer força que tenha nos colocado no mundo, nos fez assim. Predadores! Aceite sua natureza. Você é o caçador e não há mal nisso!
– Não! – o grito sai de sua garganta junto com mais uma tosse cheia de sangue – Eu não posso matar.
– Olhe aqui! Preste atenção, isso é o que você é agora! Não me interessa o que você era  antes! Mesmo por que você sempre foi um assassino, ou você também chorava por cada uma das vacas, frangos e peixes que morreram para que você tivesse tantas refeições! Nada mudou! Só o rebanho. Nada mais. Se te agrada, feche os olhos e veja uma vaca na hora de se alimentar, não me importo! Mas, não negue que você é um caçador. E que a humanidade é sua caça! Talvez nós até sejamos o elemento de equílibrio, que evita que a humanidade se alastre ainda mais como uma praga e destrua o mundo. Não me  importa.  A única coisa que importa é o sangue! Entregue-se a ele e viva sua nova vida! Aproveite!
– Mas…
– Não! Sem ‘mas’. Você me procurou, você queria minha opinião profissional. Agora, escute e escute bem! Esta é sua última consulta. Você não vai morrer, mesmo eu te abandonando aqui, o sangue vai te curar. Em poucos dias, você estará como novo. Mas, eu estarei por perto, observando. Você só precisa viver a sua nova vida, aceitando o que você é. Isso vai acabar com o choro e sofrimento. Mas, não se preocupe, se você não conseguir eu mesma irei acabar com eles. Ao terminar de falar, Luana se virou e começou a caminhar, mas seu paciente ainda queria mais:
– Espere…
– Não, a sua hora acabou! Espero que tenha aproveitado e entendido bem. Se nos encontrarmos novamente, não será como terapeuta e paciente. Adeus! E assim, ela saiu. Para seus próprios problemas, dúvidas, necessidades e é claro para iniciar sua vigilância.